"O Encontro"

No momento da despedida do grupo, em Bafatá, Guiné Bissau a Fabiana, uma missionária brasileira que nos acompanhou naqueles dias, deixou a cada elemento do grupo esta bela mensagem:

Ontem éramos apenas desconhecidos....
Hoje o pouco se tornou muito e podemo-nos chamar de Amigos.... Como nos ensina a palavra de Deus... Quem encontra um amigo, encontra um grande tesouro....
Conhecer alguém é assumir o outro...
Em cada pessoa que passa temos que deixar nossa marca...
Com António Agostinho e Judite ... aprendi que temos de gritar gruda ...gruda ... é preciso estar junto!,,.
Avantino e José Vaz ... o respirar é tudo!...
Clara ... a disponibilidade, o partilhar !...
Laura ... a alegria do sorriso!....
Timóteo ... a lealdade ... o companheirismo!...
J. Fartaria ... o conhecimento ... a dedicação !...
Padre Artur ... a guerra te trouxe a paz!....
Deolinda ... a amizade é um presente! ...
Manuel Gaspar ... o sorriso alegra a alma! ....
Manuel Lopes ... sempre aprendendo, sempre ensinando!...
Sei que muitos não se conheciam. Como disse no início, eram apenas desconhecidos...
O que éramos ontem.. já passou!
O que somos hoje ... conhecedores!..
O que seremos amanhã ... ainda se encontra no coração de Deus ... e o que está no coração, podemos dizer ... estamos bem guardados!...
Que no caminhar de seus passos ... Olhe sempre para o outro, pois, no outro sempre encontramos o grande artista que nos pintou em seu coração, ou seja, o próprio CRISTO!...”.

FABIANA - no jardim da Cúria Diocesana de Bafatá, na hora da despedida - 20/03/2016.

 



O João e a Maria


Numa casa perto da floresta vivia um lenhador muito pobre. Ele tinha dois filhos: João e Maria. A mãe das crianças havia morrido e o lenhador casara de novo com uma mulher malvada.
Uma noite a mulher queixou-se ao lenhador:
- A comida acabou e estamos sem dinheiro para comprar mais. Só há um pouco de pão para dar às crianças amanhã cedo. Precisamos abandonar os dois na floresta, pois não temos com que sustentá-los.
 - "Abandonar?", perguntou o lenhador, assustado. " Não pretendo fazer isto com meus filhos!"
Mas a mulher, que era feiticeira, ameaçou transformar as crianças em sapos se o lenhador não concordasse. João e Maria ouviram a conversa. Maria começou a chorar, com medo de ficar perdida na floresta. João, que era muito esperto, teve uma ideia:
- Vou ao quintal apanhar umas pedrinhas para marcar o caminho. Assim saberemos voltar.
 Ouvindo isso, Maria ficou tranquila. João saiu quietinho e encheu os bolsos de pedrinhas brancas. Na manhã do dia seguinte João e Maria fingiram que não sabiam de nada. Quando sentaram à mesa para tomar café, a madrasta lhes disse:
 - Aqui está um pedaço de pão para cada um. Guardem para o almoço, pois seu pai vai cortar lenha muito longe e nos vamos com ele.
 Puseram-se todos a caminho. 0 pai e a madrasta iam na frente. As duas crianças ficaram mais para trás, e João ia deixando cair as pedrinhas enquanto andava.
 Quando chegaram ao meio da floresta, a madrasta ordenou às crianças:
 - Sentem-se aqui e comam o pão, enquanto vou com seu pai cortar lenha. Não saiam daqui até voltarmos. Assim, o lenhador e a mulher se afastaram, deixando João e Maria sozinhos no mato.
 No dia seguinte as crianças foram levadas de novo para a floresta.
 Desta vez João não pôde ir ao quintal juntar pedrinhas brancas: a porta estava fechada com ferrolho e ele não conseguiu sair de casa. Mas deixou cair pedacinhos de pão para marcar o caminho. A madrasta abandonou as crianças num lugar ainda mais longe. João não se preocupava, porque tinha marcado o caminho para voltar.
 Mas, quando ele e Maria procuraram os pedacinhos de pão, nada encontraram: os passarinhos da floresta tinham comido tudo!
 - "Que vai ser de nós agora?", perguntou Maria, choramingando de medo.
 - "Vamos tratar de dormir", disse João. "Amanhã daremos um jeito de voltar para casa."
 Durante três dias e três noites as crianças vagaram pela floresta, sem achar o caminho de casa. Onde havia uma casinha.
 A casinha era feita de pão-de-ló, com telhado de chocolate e janelas de pão-de-mel. João e Maria puseram-se a comer a casa, até que uma voz gritou lá de dentro:
 - Quem rói minha casinha?
 Mas, no dia seguinte, tudo mudou. A velha chamou os dois para irem ver o estábulo, e fechou João lá dentro!
 - "Fique ai até virar um leitãozinho bem gordo para eu comer", disse a velha, que era uma feiticeira.
- "E você", continuou a velha, falando com Maria, "terá que cozinhar e fazer todo o serviço da casa!"
 Maria ficou muito assustada e tratou de obedecer.
 Todos os dias a velha obrigava Maria a levar comida para o irmãozinho.
 Depois perguntava se João já tinha engordado. Como a velha não enxergava bem,
 Maria dizia que ele ainda estava muito magrinho.
 A velha cansou de esperar que João engordasse. Um dia resolveu esquentar bem o forno e disse para Maria:
 - "Vou assar pão. Ponha sua cabeça lá dentro para ver se o forno já está bem quente."
 - "Minha cabeça não cabe aí dentro!", respondeu Maria. "Ora, cabe até a minha que é maior!", disse a velha.
 Maria fingiu que não acreditava. Quando a velha meteu a cabeça no forno para mostrar como cabia, a menina deu-lhe um empurrão e fechou a velha lá dentro!
 Depois, mais que depressa, pegou a chave do estábulo e correu a soltar o irmãozinho.
 Maria contou a João que a velha escondia um tesouro em baixo da cama.
 Os dois puseram tudo num cofre e em seguida fugiram levando as riquezas da bruxa.
 Depois de andar muito pela floresta, João e Maria chegaram em casa.
 Encontraram o pai no quintal, chorando de saudade deles. Os três se abraçaram, contentes por estar juntos novamente.
 João e Maria mostraram ao pai o tesouro que haviam trazido, com o qual não faltaria mais comida. O pai contou então que a madrasta tinha caído no rio e morrera afogada. Assim os três nunca mais se separaram e viveram sempre felizes.
-Adaptação do conto dos Irmãos Grimm

Vida simples...



Detenho-me a ver a vida...
pela janela das palavras simples!
Não tão simples como a vida...
Que nos ensina a procurar,
as coisas mais simples p'ra dizer a vida! 

Vida simples como o amor,
que encanta e dá valor!
Vida que dia a dia
é desafio, é incerteza,
da vida simples na sua dureza...

Vida simples, a criança!

Que brinca alegre e feliz...
Em nada, põe maldade,
quer apenas conhecer
a vida na simplicidade!

Vida simples, é amar!

Com palavras ou simples gestos,
é ter carinho para dar,
nessa forma de ser e estar,
ter coração e ajudar!...
 



Paragem na viagem





Fiz uma viagem...
Com o deserto me cruzei
Fiz uma paragem...
E no silêncio me encontrei!

Um fantástico pôr-do-sol…
Na brandura daquele lugar
Junto ao lago me sentei
Para reflectir e meditar!

Os meus olhos, eu fechei…
Afastada de tudo o que é vago
Sobre o meu coração me curvei
Dentro de mim, senti o infinito…
Ao invadir-me tão doce afago!

No silêncio daquele momento
Inundada de paz e a sonhar…
O lago, já não era lago,
Era um paraíso de contentamento,
Oh! Como é bom parar!

Sentir a brisa suave da alegria
A vibrar no meu interior
Poder escutar, naquele dia
A voz suave do meu Senhor!

Fiz uma paragem…
Retomei nova energia,
Peguei a minha bagagem
A transbordar de alegria
E segui nova viagem!...

Quaresma de novo!




Convertei-vos e acreditai…
Que convite me fazes, Senhor?
Os meus ouvidos estão já demasiado
Habituados a ouvir esta palavra:
Todos os anos, neste dia, neste tempo…
Início da Quaresma…

“Convertei-vos e acreditai no Evangelho”
Que desafio comporta?
Queres o melhor para mim,
Para nós,
Bem sei!...

As festas preparam-se com tempo!
São quarenta dias…
E vem a Festa da Páscoa!
Senhor, converter-se, não é fácil
Tu, sabes isso,
Mas vou tentar, usando os meios
Que pões à minha (nossa) disposição:
- Esmola, Oração, Jejum…

…Acreditai no Evangelho
Remédio, exercício diário…
Eis-me, Senhor!
Quero abraçar este Projeto
Identificar-me Contigo – Ser Evangelho!...

Convertei-vos e acreditai no Evangelho
Neste tempo novo, e oportuno
Tempo favorável para recomeçar sempre…
Amor que não desiste, o Teu…
É então um grande desafio
SER BOA NOVA! – EVANGELHO!

A Estrela de Belém!


 A Estrela paira no ar,
e os Magos perceberam,
por isso longos caminhos percorreram
Até Belém encontrar!...
E chegados ao local, prostraram-se:
Para o Deus Menino adorar!

A Estrela és tu, Senhor Jesus!
que a terra, vens iluminar…
”todos Te procuram”, bem sabes!
Como aos Magos,
Te fazes anunciar…
És Estrela sempre a brilhar!

A Estrela, plena de Luz!
É sinal, é guia…
Caminho que leva a Jesus!
Presença desejada e incómoda
Do Rei que aparecia!
É Luz que a todos alumia!
 
A Estrela que interpela
Quantos se deixam iluminar por ela!
E entrando no local, adoram O Menino…
Movidos, transformados, por grande fé…
Seguem por outro caminho...
O Caminho de Jesus de Nazaré!

Magnificat: Nasceu Jesus!



Maria, Mãe de Deus feito criança

Abre o meu coração à Esperança.

Guia, nesta hora todos os homens, filhos teus

No caminho e busca de Deus!...

Inclina-me a busca-lo também

Feito Menino, em teu colo de Mãe!

Imagem bela do puro amor

Contigo exulto em Deus, nosso Salvador!

A todos encaminha para a Luz

Temos o Emanuel: Nasceu Jesus!

                                 Magnificat: Nasceu Jesus! 

É lá naquele lugar…


O Emanuel, vem para junto de nós…
Por isso é, de novo, Natal!
Há grande Alegria no ar…
Vamos ao presépio de Belém!...
É lá, naquele lugar…
que podemos contemplar
o grande Amor que Deus nos tem!


É lá, naquele lugar...
que talvez possamos perceber,
a vinda de Jesus ao mundo
é Dom, para agradecer!...
É lá, naquele lugar...

Só o coração o conhece…
Que Deus se torna visível
E a salvação a todos oferece!


É lá naquele lugar…
Numa noite serena e fria,
e, fora da cidade
onde podemos escutar
a mais bela melodia!
É la naquele lugar…
em silêncio e harmonia
envolvidos no mistério…

Vimos o nascer do novo dia!


Feliz Natal… Alegria!

O Outono, sempre bonito!


O Outono, sempre bonito!...
Há um encanto nas paisagens,
Tão cheias de contrastes
As folhas amarelecidas
Outras caídas;
Pelos campos a rolar…
E a natureza a lembrar
Que a vida tem o seu ritmo,
O importante é contemplar!...
Admirar, apreciar, olhar…
Esperar e deixar!
Até que volte a acordar.


Como é bonito!
Perceber que o infinito
Se esconde serenamente…
E desce tão profundamente!
Num descanso renovador
Cheio de pujança e vigor,
Como o sol no horizonte…
Construindo nova ponte
De cor sobre a paisagem
Nesta vida de passagem
A caminho da outra margem!


E a terra adormecida
É promessa de nova vida
Como que a dizer:
É preciso saber morrer
Para de novo viver!

Alegrai-vos!




Mais do que um título, a carta dirigida aos consagrados e consagradas para o ano dedicado à vida consagrada, a iniciar no próximo dia 30 de novembro, início também do novo ano litúrgico, é sobretudo uma exortação, um apelo a despertar, uma inquietação positiva da procura, como aconteceu com Santo Agostinho. Uma «inquietação do coração que leva ao encontro pessoal com Cristo; que o leva a compreender que aquele Deus que ele procurava longe de si é o Deus próximo de cada ser humano, o Deus próximo do nosso coração, mais íntimo a nós que nós mesmos». Por isso ele não se acomoda, não se fecha, não desiste de caminhar até chegar a dizer: “Tu nos fizeste para Ti Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti”.


Cá está: é uma explosão de alegria que brota do encontro e do reconhecer que Deus é a única ligação vital, para todos aqueles que são chamados e tocados por Ele para uma vocação especial de serviço ao Reino. Ide! – É um imperativo que nos coloca em saída, em êxodo, como dinâmica de anúncio alegre e feliz. Saí a testemunhar por palavras e sobretudo com a vida, assumindo o risco que nos vincula a uma coerência de vida – a tua vida diz aquilo que és! – O mesmo é dizer: obriga-te a um compromisso responsável e empenho sério, capaz de irradiar e, porque não, contagiar com o teu sorriso, entusiasmo e todo o teu ser, a paisagem sempre bela que é o mundo, aí onde estamos enviados(as).


Alegrai-vos, é também um convite a irmos ao essencial: Deus que a todos ama! Só Ele é o absoluto, só Ele pode de fato saciar a nossa sede e dar resposta às questões mais profundas do coração humano. Viver na alegria, como dom e agir em conformidade, com disponibilidade de coração, coragem e entrega ao serviço para edificação do bem comum. Acolhamos o desafio!

Numa tarde de Outono



Hoje parei...
No silêncio da tarde
Mesmo junto ao mar...
Olhei o horizonte
... e vi a imensidão...
Deixei-me então levar!


Fechei o meu olhar...
Emocionada, encantada,
Deixei-me chorar...
Ali junto ao mar...
Onde, se vê o mundo...
E se percebe que é preciso remar

 
Abri de novo o olhar...
E vi que o vento
Traz o tempo...
Num rodopio de tempo,
De vento e de mar,
Por momentos deixei-me sonhar!


Pus-me então a imaginar...
O que haveria para além do mar:
Um mundo novo a brilhar...
Outras ondas a rebentar...
O tempo que não pára de girar
Novas praias, banhadas pelo mar!

 
Hoje, junto ao mar…
Fechei o meu olhar...
Na Tua presença, pus-me a rezar!