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As duas maçãs...

Uma linda e pequenina história intemporal para contar aos filhotes aos netos e aos bisnetos...
A inteligente e desconcertante generosidade da criança
Uma garota segurava uma maçã em cada mão. A sua mãe entrou
e pediu-lhe com uma voz doce e um belo sorriso:
– Querida, podes dar-me uma das tuas maçãs?
A menina levanta os olhos para a sua mãe durante alguns segundos,
e morde subitamente uma das maçãs e logo em seguida a outra.
A mãe sente a sua cara ficar gelada e perde o sorriso.

Ela tenta não mostrar a sua decepção, quando a sua filha lhe dá uma das maçãs mordidas.
Mas a pequena olha para a mãe com um sorriso de anjo e diz alegremente:

– A mais doce é essa, mãe!
Pouco importa quem és, que tenhas experiência, sejas competente ou sábio.
Espera para fazer um ‪‎julgamento.
Dá aos outros a oportunidade de se poderem explicar.
Pensa nisso!
                                                                            (História que recebi por e-mail. Desconheço autor)


Para pensar...



Alguém fazia uma pergunta muito desafiadora a outro que lhe dizia que não é possível ser feliz neste mundo, porque basta abrir os olhos e ver as desgraças que nos rodeiam. Então o primeiro perguntava: "O mal e o sofrimento comovem-te ou incomodam-te?" E isto é muito sério, porque se estou instalado incomodam-me mas depois fico tristíssimo, digo mal da vida, chamo nomes aos outros... Mas se o mal me comove leva-me a agir, move-me com... e então o sofrimento não é uma desgraça, é algo que me leva a sair de mim e a fazer alguma coisa pelos outros.
Vasco P. Magalhães, sj
ONDE HÁ CRISE, HÁ ESPERANÇA

Não deixe Para Amanhã

Amanhã pode ser muito tarde
Para você dizer que ama,
Para você dizer que perdoa,
Para você dizer que desculpa,
Para você dizer que quer tentar de novo...

Amanhã pode ser muito tarde
Para você pedir perdão,
Para você dizer:
Desculpe-me, o erro foi meu!...
O seu amor, amanhã, pode já ser inútil;
O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso;
A sua volta, amanhã, pode já não ser esperada;
A sua carta, amanhã, pode já não ser lida;
O seu carinho, amanhã, pode já não ser mais necessário;
O seu abraço, amanhã, pode já não encontrar outros braços...
Porque amanhã pode ser muito ...muito tarde!
Não deixe para amanhã para dizer:
Eu amo você!
Estou com saudades de você!
Perdoe-me!
Desculpe-me!
Esta flor é para você!
Você está tão bem!...
Não deixe para amanhã
O seu sorriso,
O seu abraço,
O seu carinho,
O seu trabalho,
O seu sonho,
A sua ajuda...

Não deixe para amanhã para perguntar:
Por que você está triste?
O que há com você?
Ei!...Venha cá, vamos conversar...
Onde está o seu sorriso?
Ainda tenho chance?...
Já percebeu que eu existo?
Por que não começamos de novo?
Estou com você.
Sabe que pode contar comigo?
Onde estão os seus sonhos?
Onde está a sua garra?...
Lembre-se:

Amanhã pode ser tarde...muito tarde!
Procure. Vá atrás! Insista!
Tente mais uma vez!
Só o hoje é definitivo!
Amanhã pode ser tarde...


(autor desconhecido)

Porquê ou para quê?

A pergunta sobre o sofrimento nunca é porquê, mas para quê? A pergunta não é como começou, mas como acaba, para onde vai. Aonde é que nos leva? E pode haver alguma descodificação do sofrimento se nos habituarmos a fazer a pergunta mais séria do ponto de vista humano e espiritual: "Para onde vamos?" O sofrimento não se explica com a ideia do castigo, explica-se por ser a interioridade de um processo de transformação. É mais um "para quê?", "o que é que podemos tirar daí?" Fazemos muitas vezes a pergunta filosófica, buscando as causas, é o tal "porquê?" Olhamos para trás quando devíamos olhar para a frente, para onde é que leva ou para onde pode levar. Essa é a pergunta de quem se liga ao Criador, mais espiritual, e sabe que o mundo não acabou. É mais saudável perguntar pela finalidade do que pela origem! E se o sofrimento é o avesso do amor e coincide com a história humana, se a acompanha, só se pode perceber interrogando-o, caminhando com ele, fortalecendo-nos nele. Resolvê-lo é que não se pode, como não se pode resolver a vida, como não se pode resolver o amor. Mas pode-se fazê-lo florescer, pode-se tirar partido.


A perda de sentido gera sofrimento. Quando não se percebe porque é que se vive ou para que é que se vive, há uma espécie de eclipse, uma experiência da noite espiritual, que gera hoje tantas depressões e stress, em que a pessoa não percebe o que está a acontecer. Aqui, sim, posso ajudar o outro a encontrar o sentido da sua vida, o valor, o para quê. Outra fonte de sofrimento é a desordem interior, a perda de equilíbrio pessoal, que acontece de tantas maneiras quando a pessoa perde a sua unidade e a continuidade da sua história, quando desintegra aspectos da sua vida.
Vasco P. Magalhães, sj
ONDE HÁ CRISE, HÁ ESPERANÇA


O João e a Maria


Numa casa perto da floresta vivia um lenhador muito pobre. Ele tinha dois filhos: João e Maria. A mãe das crianças havia morrido e o lenhador casara de novo com uma mulher malvada.
Uma noite a mulher queixou-se ao lenhador:
- A comida acabou e estamos sem dinheiro para comprar mais. Só há um pouco de pão para dar às crianças amanhã cedo. Precisamos abandonar os dois na floresta, pois não temos com que sustentá-los.
 - "Abandonar?", perguntou o lenhador, assustado. " Não pretendo fazer isto com meus filhos!"
Mas a mulher, que era feiticeira, ameaçou transformar as crianças em sapos se o lenhador não concordasse. João e Maria ouviram a conversa. Maria começou a chorar, com medo de ficar perdida na floresta. João, que era muito esperto, teve uma ideia:
- Vou ao quintal apanhar umas pedrinhas para marcar o caminho. Assim saberemos voltar.
 Ouvindo isso, Maria ficou tranquila. João saiu quietinho e encheu os bolsos de pedrinhas brancas. Na manhã do dia seguinte João e Maria fingiram que não sabiam de nada. Quando sentaram à mesa para tomar café, a madrasta lhes disse:
 - Aqui está um pedaço de pão para cada um. Guardem para o almoço, pois seu pai vai cortar lenha muito longe e nos vamos com ele.
 Puseram-se todos a caminho. 0 pai e a madrasta iam na frente. As duas crianças ficaram mais para trás, e João ia deixando cair as pedrinhas enquanto andava.
 Quando chegaram ao meio da floresta, a madrasta ordenou às crianças:
 - Sentem-se aqui e comam o pão, enquanto vou com seu pai cortar lenha. Não saiam daqui até voltarmos. Assim, o lenhador e a mulher se afastaram, deixando João e Maria sozinhos no mato.
 No dia seguinte as crianças foram levadas de novo para a floresta.
 Desta vez João não pôde ir ao quintal juntar pedrinhas brancas: a porta estava fechada com ferrolho e ele não conseguiu sair de casa. Mas deixou cair pedacinhos de pão para marcar o caminho. A madrasta abandonou as crianças num lugar ainda mais longe. João não se preocupava, porque tinha marcado o caminho para voltar.
 Mas, quando ele e Maria procuraram os pedacinhos de pão, nada encontraram: os passarinhos da floresta tinham comido tudo!
 - "Que vai ser de nós agora?", perguntou Maria, choramingando de medo.
 - "Vamos tratar de dormir", disse João. "Amanhã daremos um jeito de voltar para casa."
 Durante três dias e três noites as crianças vagaram pela floresta, sem achar o caminho de casa. Onde havia uma casinha.
 A casinha era feita de pão-de-ló, com telhado de chocolate e janelas de pão-de-mel. João e Maria puseram-se a comer a casa, até que uma voz gritou lá de dentro:
 - Quem rói minha casinha?
 Mas, no dia seguinte, tudo mudou. A velha chamou os dois para irem ver o estábulo, e fechou João lá dentro!
 - "Fique ai até virar um leitãozinho bem gordo para eu comer", disse a velha, que era uma feiticeira.
- "E você", continuou a velha, falando com Maria, "terá que cozinhar e fazer todo o serviço da casa!"
 Maria ficou muito assustada e tratou de obedecer.
 Todos os dias a velha obrigava Maria a levar comida para o irmãozinho.
 Depois perguntava se João já tinha engordado. Como a velha não enxergava bem,
 Maria dizia que ele ainda estava muito magrinho.
 A velha cansou de esperar que João engordasse. Um dia resolveu esquentar bem o forno e disse para Maria:
 - "Vou assar pão. Ponha sua cabeça lá dentro para ver se o forno já está bem quente."
 - "Minha cabeça não cabe aí dentro!", respondeu Maria. "Ora, cabe até a minha que é maior!", disse a velha.
 Maria fingiu que não acreditava. Quando a velha meteu a cabeça no forno para mostrar como cabia, a menina deu-lhe um empurrão e fechou a velha lá dentro!
 Depois, mais que depressa, pegou a chave do estábulo e correu a soltar o irmãozinho.
 Maria contou a João que a velha escondia um tesouro em baixo da cama.
 Os dois puseram tudo num cofre e em seguida fugiram levando as riquezas da bruxa.
 Depois de andar muito pela floresta, João e Maria chegaram em casa.
 Encontraram o pai no quintal, chorando de saudade deles. Os três se abraçaram, contentes por estar juntos novamente.
 João e Maria mostraram ao pai o tesouro que haviam trazido, com o qual não faltaria mais comida. O pai contou então que a madrasta tinha caído no rio e morrera afogada. Assim os três nunca mais se separaram e viveram sempre felizes.
-Adaptação do conto dos Irmãos Grimm

"Escolhe a vida e viverás"


"Podes ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não te esqueças de que vida é a maior empresa do mundo.

Só tu podes evitar que ela vá à falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por ti.
Gostava que sempre te lembrasses de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas reflectir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma e agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para dizer "eu errei". É ter ousadia para dizer "perdoa-me".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de ti". É ter capacidade de dizer "eu amo-te".
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para que sejas feliz...
Que nas tuas primaveras sejas amante da alegria.
Que nos teus invernos sejas amigo da sabedoria.
E, quando errares o caminho, recomeça tudo de novo, pois assim serás cada vez mais apaixonado pela vida.
E descobrirás que...
Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Nunca desistas de ti mesmo!!!
Nunca desistas das pessoas que amas.
Nunca desistas de ser feliz, pois a vida é um espectáculo imperdível.
E tu és um ser humano especial!!!"

(Autor desconhecido)

Lição da criança sobre a amor!

       Numa sala de aula, havia várias crianças.
       Quando uma delas perguntou à professora:
       - Professora, o que é o amor?
       A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.
       As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:
       - Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.
       A primeira criança disse:
       - Eu trouxe esta flor, não é linda?
       A segunda criança falou:
       - Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha colecção.
       A terceira criança completou:
       - Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?
       E assim as crianças foram se colocando.
       Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido. A professora se dirigiu a ela e perguntou:
       - Meu bem, por que você nada trouxe?
       E a criança timidamente respondeu:
       - Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida. Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?
       A professora agradeceu à criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração.

Autor desconhecido

Um conto de Paulo Coelho











 
   O mosteiro pode acabar, um conto de Paulo Coelho que me fez pensar...

"O mosteiro atravessava tempos difíceis, o mundo havia mudado: afirmavam que Deus era apenas superstição, a Igreja estava cheia de problemas, e os jovens já não queriam mais ser noviços. Uns foram estudar sociologia, outros passaram a ler tratados de materialismo histórico, e pouco a pouco a pequena comunidade que restou foi se dando conta que seria necessário fechar o convento.
Os antigos monges foram morrendo. Quando o último deles estava pronto para entregar sua alma ao Senhor, chamou ao seu leito de morte um dos poucos noviços que restavam.
- Tive uma revelação – disse. – Este mosteiro foi escolhido para algo muito importante.
- Que pena – respondeu o noviço. – Porque só restam cinco rapazes, e não podemos dar conta de todas as tarefas, quanto mais de uma coisa importante...
- É uma pena mesmo. Porque, aqui no meu leito de morte, um anjo apareceu, e eu entendi que um de vocês cinco estava destinado a tornar-se um santo.
Disse isto, e expirou.
Durante o enterro, os rapazes olhavam-se entre si, espantados. Quem teria sido o escolhido: aquele que mais ajudava os habitantes da aldeia? O que costumava rezar com uma devoção especial? Ou o que pregava com tal entusiasmo que os outros se sentiam à beira das lágrimas?
Compenetrados pela presença de um santo entre eles, os noviços resolveram adiar um pouco a extinção do convento, e passaram a trabalhar duro, pregar com entusiasmo, reformar as paredes caídas, praticar a caridade e o amor.
Certo dia, um rapaz apareceu na porta do convento: estava impressionado com o trabalho dos cinco rapazes, e queria ajudá-los. Não demorou uma semana, outro jovem fez o mesmo. Aos poucos, o exemplo dos noviços correu a região.
- Os olhos deles brilham – dizia um filho ao seu pai, pedindo para entrar para o mosteiro.
- Eles fazem as coisas com amor – comentava um pai com seu filho. – Vê como o mosteiro está mais belo do que nunca?
Dez anos depois, já havia mais de oitenta noviços. Nunca se soube se o comentário do velho monge era verdadeiro, ou se ele tinha encontrado uma fórmula para fazer com que o entusiasmo devolvesse ao mosteiro a sua dignidade perdida".

- Tira as tuas conclusões e se quiseres partilha-as...

Nem sempre vemos...


Há dias entrei num local, onde vou algumas vezes. E curiosamente reparei na seguinte frase exposta na parede:

"Nunca se é demasiado velho para se CRESCER!"

Não mencionava o autor. Mas o facto é que a fixei e até concordo, acho que é mesmo assim. Nunca se é demasiado velho… Olho a minha mãe com 94 anos e não a considero velha. Ela gosta de estar a par de tudo, embora não saia muito de casa, pergunta como estão a decorrer as coisas: animais, plantas e pessoas… tudo o que lhe está próximo… assim se cresce!...  

Para meditar:

















"Para caminhar, é preciso o calçado,
para comprar, é preciso dinheiro
e para rir é preciso humor!

Para desenhar são necessários lápis,

para cantar são necessárias canções,
mas para servir é preciso o coração!

Para amanhã é precisa a esperança,

para hoje é precisa a luz

e para resplandecer é precisa a alegria!


Para viver é necessário o amor,

para amar é precisa a confiança

e saber que se é escutado e visto!"

(DOLL, Françoise - A Caminho da Páscoa. Porto:Edições Salesianas, 1993)

Aprendiz de viajante










Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra.
O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta - sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.

Al Berto (1948-1997)