O diálogo com o passarinho...



Da minha silenciosa janela 
Olho a paisagem através dela:
E vejo um pequeno passarinho
Descontraído, alegre e a cantar
Saltitando sem parar…
Haverá algo a encontrar?
É preciso procurar!...

Pus-me então a pensar…
Como é bom ter asas e voar!
Ser livre e num ramo pousar,
Descansar para de novo voar,
Respirar o ar puro e admirar,
Ver a beleza e contemplar…
                                                                                                                                       

E neste meu pensar,
Senti-me a dialogar…
- Diz-me passarinho:
Tu que sobrevoas terra e mar,
Não vistes o meu amor passar?
Nesse teu voo sem parar,
Pergunta por mim ao rio
Se na sua margem o viu,
Deixo-te esse desafio!...

Neste meu pensar…
Quase me sinto a soluçar.
- Diz-me passarinho:
- Queres-me ajudar?
Esse teu lindo cantar…
Faz o meu coração vibrar,
Como é bom poder voar,
Partir para outro lugar
Nem que seja a sonhar…
- Sim, comigo podes contar
Diz-me o passarinho,
No seu chilrear…
É preciso saber esperar,
Saborear a alegria de estar
Compreender e amar
Porque amar é encontrar!
                                                                                                                                                     

Solidão




Perpassam na minha mente
Muitos e loucos pensamentos
Amontoados pela força dos ventos
Contrários ao que a alma sente…

Por entre nuvens e escuridão
Há montanhas de tristeza…
Que me arrebata o coração
A lutar por mais firmeza!

Aquietei-me, então suavemente
Nem lágrimas, nem alegria…
E depois  firmemente,
Busquei a minha doce companhia!

Nela, busquei beleza, conciliação,
Serenidade, paz e harmonia
Comecei a sentir o que dizia…
Não estás só: enfrenta a solidão!

Fecho os meus olhos...

Fecho os meus olhos…
Nada vejo e vejo tudo:
Vejo o que queria e não queria ver
E neste momento de emoção,
Devaneio e turbilhão...
O meu silêncio fica mudo
Ao ver todo o meu querer.

Fecho os meus olhos...
Para melhor me interiorizar
E vejo nuvens escuras e de algodão
E eu nelas a flutuar
E a elevar a minha oração
Deixando-me em Deus repousar!

Fecho os meus olhos...
Mas logo me disperso
Ao olhar para o meu interior
E neste meu universo
Não vejo nada e vejo tudo:                                                                  
Um tempo tão belo, singular,
Uma linda e intensa história
Onde a mente se perde a divagar...
E o meu silêncio fica mudo
Sem saber o que falar…

Fecho os meus olhos...
E deixo o coração a chorar.
Sei que nada está perdido
Mas preciso desabafar...
Porque tudo é dom
Esperança que há-de frutificar…
Aceito por agora a dor
A semente lançada, com amor
A seu tempo vai germinar!




Como o carvalho

Todas as vezes que nos deparamos com problemas em nossa vida, observamos o quanto somos frágeis.
As alegrias se vão e só fica a verdade de que somos impotentes para lidar com adversidades que surgem no decorrer de nossa existência.
Deus nos deixa lições interessantes em sua criação para nos mostrar o contrário, que o homem foi criado forte e que essa força é sempre adquirida e absorvida dessas situações adversas.
Você conhece uma árvore chamada CARVALHO?
Pois é, essa árvore é usada pelos botânicos e geólogos como um medidor de catástrofes naturais do ambiente.
Quando querem saber o índice de temporais e tempestades ocorridas numa determinada floresta, eles observam logo o carvalho (existindo no local, é claro), que naturalmente é a árvore que mais absorve as consequências temporais.
Quanto mais temporais e tempestades o carvalho enfrenta, mais forte ele fica!
Suas raízes naturalmente se aprofundam mais na terra e seu caule se torna mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo!
Mas não pense que os cientistas precisam fazer essas análises todas para saber isso! Basta apenas eles olharem para o carvalho.
Por absorver as consequências das tempestades, a robusta árvore assume uma aparência disforme, como se realmente tivesse feito muita força.
Muitas vezes uma aparência triste!
Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça!
Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme!
Assim somos nós.
Devemos tirar proveito das situações contrárias à nossa vida e ficar mais fortes!
Um pouco marcados. Muitas vezes com aparência abatida, mas fortes!!!
Com raízes bem firmes e profundas na terra!


Autor desconhecido

O par perfeito

Era uma vez um anjinho muito distraído chamado AMOREL, que recebeu uma incumbência de Deus:

- AMOREL, acabo de inventar os humanos. Eles estão classificados como homem e mulher, cada um tem seu par e já estão todos alinhados de par em par. Pegue esta bandeja de humanos e leve para que eles habitem a Terra.

AMOREL ficou contente pois, há muito tempo, o Senhor não o chamava para tão nobre trabalho. O anjinho pegou a bandeja e ao virar uma esquina lá no céu, tombou com uma anjinha chamada AMANDA.

A bandeja voou longe, e todos os casais de humanos se misturaram.

AMOREL e AMANDA ficaram desesperados e foram contar a Deus o ocorrido e o Senhor falou:
- Vocês derrubaram, vocês juntarão! Porém, parece que Deus se esqueceu que os anjinhos eram distraídos. E é por isso que cada dia os casais se juntam e se separam. Os dois anjinhos, trabalham incessantemente para que os casais originais se encontrem.

O trabalho é muito difícil, tanto é, que por muitas vezes eles juntam casais errados, pois os humanos espalhados ficam inquietos e cobram o serviço dos anjinhos, o tempo todo. Quando os humanos se mostram muito desesperados, os anjinhos unem dois desesperados, mas logo depois percebem o engano e os separam, e por muitas vezes, esta separação é brusca, pois não se tem tempo a perder.

Recebi um bilhete dos dois anjinhos e vou mandar pra você agora.

"Se você é um humano, queremos pedir desculpas pela nossa distracção, pois errar não é só humano! Estamos trabalhando com empenho, porém, sempre contando com a ajuda de vocês. Não desesperem e não se isolem.

Tentem mostrar realmente, quem é cada um de vocês, pois à medida que cada um mostrar o que é de verdade, vai tornar o nosso trabalho mais fácil. Aproveitamos a oportunidade, para nos desculpar pelas separações abruptas, sabemos que elas geram muito transtorno, mas se nós o separamos de alguém, é por que em algum canto vimos alguém bem mais parecido e por isso precisamos isolá-los para facilitar o encontro."


Autor desconhecido

Olhar para cima


Certa vez um jovem marinheiro teve que subir ao mastro durante uma tempestade. As ondas levantavam o barco para as alturas estonteantes e logo em seguida jogavam-no para profundezas abismais.
O jovem marujo começou a sentir vertigem e estava quase a cair, o Capitão gritou: “moço olhe para cima”. De maneira decidida, o marinheiro desviou o olhar das ondas ameaçadoras e olhou para cima. Ele conseguiu subir com segurança e executar a sua tarefa.

Quando os dias de tribulação revolvem a nossa vida, quando as tempestades da vida nos confundem, perdemos o equilíbrio e somos verdadeiramente ameaçados.
Entretanto se desviarmos o olhar dos perigos e olharmos “para cima”, se buscarmos a face do Senhor e confiarmos na sua mão poderosa, o nosso coração aquietar-se-á, receberemos força e paz para podermos fazer as nossas tarefas, mesmo no meio das tempestades e finalmente seremos vitoriosos.

(Autor desconhecido)


Paraíso deslumbrante!...


Ó como é bom voltar...
A este belo, recôndito lugar...
Grande é a sua tranquilidade,
Cheio de encanto e suavidade...
Tudo aqui nos convida
A viver a entrega feliz da vida!

Sabes, meu encanto
Sinto-me privilegiada, neste recanto...
Tudo tão sereno, tão repousante,
Estar neste paraíso deslumbrante!
Nesta entrega plena, amorosa…
Tão bela, como um botão de rosa!
                                                                                     
Este ar puro que aqui bebemos
E o suave perfume da natureza,
Na quietude do amor que vivemos
É sentir o paraíso, singela beleza!
O tempo preenchido, o passeio…
Momentos fortes que ainda saboreio!
                                                                                                  
Naquela varanda ao sol brilhante
Senti-me tão amada e te amei!…
Numa explosão de alegria, fascinante
As doces palavras que contigo conversei…
Num tempo, tão cheio de emoção!
Guardo esta vida linda que me vai no coração!…


Neste momento...


Se eu pudesse fugir,
Fugiria para um lugar deserto...
Onde o silêncio se faz ouvir,
E seus sons melodiosos por perto!

Esqueceria a voz do meu alento...
Assim não teria que sentir,
A dor do meu pensamento
Que teimosamente sinto repetir:
- Espera, dá mais um tempo,
A vida não se vive a fugir!…

Fugir de quê ou de quem?
De mim mesma e mais ninguém!

Não, não posso fugir…
Nem mesmo repelir
Tudo o que me vai no coração...
O melhor mesmo, é discernir
Com amor e compaixão...
Para não mais me ferir
Quero, no amor tudo assumir!

Neste momento
Sinto um profundo amor
Mergulhado no mar do sofrimento.
Porém, é só mais um mergulho…
Que vem dar um novo vigor
E fortalecer este frágil
E ao mesmo tempo grande amor!


A história de um explorador experiente!


Uma vez um explorador foi enviado pelos seus a um lugar perdido na selva amazónica. A sua missão consistia em fazer um levantamento detalhado da área. Como o explorador era um especialista no seu ofício, fez a sua tarefa com grande cuidado e perícia. Nenhum canto foi deixado sem ser explorado.
Ele descobriu quais eram as plantas e os animais, as características de cada estação, os segredos do grande rio que atravessa toda a região, as chuvas, os ventos, as possibilidades para a vida humana neste local remoto...
Quando, finalmente, ele acreditou que sabia tudo, decidiu regressar para transmitir a quem o tinha enviado todos os conhecimentos adquiridos.
Os seus receberam-no com expectativa… Eles queriam saber tudo sobre a Amazónia. Mas o explorador experiente percebeu, naquele momento, a incapacidade de responder aos desejos de seu povo. Como é que ele poderia transmitir a beleza incomparável do lugar, a harmonia profunda da noite que conseguiam elevar o seu coração? Como poderia compartilhar com eles o sentimento de profunda solidão que retinha à noite, o medo que o paralisou perante as feras selvagens daquele lugar ou o senso incomum de liberdade que ele sentia quando conduzia a canoa pelas águas incertas do rio? Como?
Então, depois de muito pensar, o explorador tomou uma decisão e disse: "- Ide e conhecei vós mesmos o lugar. Nada pode substituir o risco e a experiência pessoal.”
Talvez pudéssemos terminar aqui a história. Para nós era suficiente!...
Mas ela não terminou, o bom explorador teve medo, pensou: Se alguma coisa acontece com eles… Se não sabem chegar… Então ele fez um mapa para guiá-los. Todos fizeram cópias, distribuindo-as e foram para a Amazónia munidos do mapa que tinham recebido.
Todos os que tinham uma cópia consideravam-se especialistas.
Não se conheciam, através do mapa, cada curva da estrada, lugares perigosos, a largura e profundidade do rio, as intempéries e as cachoeiras… o mapa estava vazio de toda a beleza que o fez explorar aquele lugar remoto… e o explorador lamentou durante toda a sua vida ter-lhes dado o mapa.

(Desconheço autoria)

As duas maçãs...

Uma linda e pequenina história intemporal para contar aos filhotes aos netos e aos bisnetos...
A inteligente e desconcertante generosidade da criança
Uma garota segurava uma maçã em cada mão. A sua mãe entrou
e pediu-lhe com uma voz doce e um belo sorriso:
– Querida, podes dar-me uma das tuas maçãs?
A menina levanta os olhos para a sua mãe durante alguns segundos,
e morde subitamente uma das maçãs e logo em seguida a outra.
A mãe sente a sua cara ficar gelada e perde o sorriso.

Ela tenta não mostrar a sua decepção, quando a sua filha lhe dá uma das maçãs mordidas.
Mas a pequena olha para a mãe com um sorriso de anjo e diz alegremente:

– A mais doce é essa, mãe!
Pouco importa quem és, que tenhas experiência, sejas competente ou sábio.
Espera para fazer um ‪‎julgamento.
Dá aos outros a oportunidade de se poderem explicar.
Pensa nisso!
                                                                            (História que recebi por e-mail. Desconheço autor)


Para pensar...



Alguém fazia uma pergunta muito desafiadora a outro que lhe dizia que não é possível ser feliz neste mundo, porque basta abrir os olhos e ver as desgraças que nos rodeiam. Então o primeiro perguntava: "O mal e o sofrimento comovem-te ou incomodam-te?" E isto é muito sério, porque se estou instalado incomodam-me mas depois fico tristíssimo, digo mal da vida, chamo nomes aos outros... Mas se o mal me comove leva-me a agir, move-me com... e então o sofrimento não é uma desgraça, é algo que me leva a sair de mim e a fazer alguma coisa pelos outros.
Vasco P. Magalhães, sj
ONDE HÁ CRISE, HÁ ESPERANÇA