Dedicado a todos os pais...



Pai…

Ter um Pai! É ter na vida

Uma luz por entre escolhos;

É ter dois olhos no mundo

Que vêem pelos nossos olhos!


Ter um Pai! Um coração

Que apenas amor encerra,

É ver Deus, no mundo vil,

É ter os céus cá na terra!


Ter um Pai! Nunca se perde

Aquela santa afeição,

Sempre a mesma, quer o filho

Seja um santo ou um ladrão;

Talvez maior, sendo infame

O filho que é desprezado

Pelo mundo; pois um Pai

Perdoa ao mais desgraçado!


Ter um Pai! Um santo orgulho

Pró coração que lhe quer

Um orgulho que não cabe

Num coração de mulher!


Embora ele seja imenso

Vogando pelo ideal,

O coração que me deste

Ó Pai bondoso é leal!


Ter um Pai! Doce poema

Dum sonho bendito e santo

Nestas letras pequeninas,

Astros dum céu todo encanto!


Ter um Pai! Os orfãozinhos

Não conhecem este amor!

Por mo fazer conhecer,

Bendito seja o Senhor!


Florbela Espanca

Hoje abri as minhas janelas…



Hoje abri as minhas janelas…

Não, não abri apenas

as janelas do meu quarto.

Hoje abri, sobretudo

as janelas do meu coração.

Faz-nos bem pensar

e ter estas “imagens”

que nos ajudam a interiorizar aquilo que,

é uma necessidade interior,

abrirmos o nosso coração, ao ar puro do campo…

para deixar sair a traça e o caruncho que se acumula

quando paramos algum tempo dentro de nós

e nos detemos a olhar os nossos botões.


A vida que pulsa dento de nós precisa de ser refrescada,

lida e relida com o pulsar da esperança.

O tempo, convida-nos a avaliar de novo o que vivemos

o que vamos vivendo, como estamos a responder aos sonhos,

desejos e projectos, para que não morram

com os tropeços e desilusões do caminho.

Mesmo que doa e até que faça chorar.

Mesmo que às vezes não haja vontade

e até nos pareça que tudo o que sonhamos

está a perder-se na bruma do esquecimento,

do cansaço ou da tibieza. Mesmo que doa, mesmo que...


Afinal, abrir o nosso coração

é termos o maior acto de sinceridade para connosco mesmos.

E isso, depende só de nós… Sempre!


Habituamo-nos e acomodamo-nos a ser pequenos demais.

Habituamo-nos a ter medo daquilo que não conhecemos.

Habituamo-nos a darmo-nos à vida em meias medidas

receando sempre alguma coisa, o desconhecido.


Abrir o coração, é romper com os medos.

É por isso que me decidi a abrir o meu coração.

É por isso que o deves abrir!

Abrir o coração é confiar em ti,

em Deus e na Vida que vem ao teu encontro.


Acredita que ser feliz é tão simples afinal:

basta um sorriso aberto nos lábios,

basta viver encantado e empenhado,

basta sermos o que somos, basta querer ser!

Afinal de que serve o coração, o nosso lado mais profundo,

se não for para servir e amar?

Nem só de pão vive o homem, mas...













Nem só de pão vive o homem,

mas também da beleza e harmonia,

da verdade e bondade, trabalho e recreação,

da afeição e amizade, aspiração e adoração.


Nem só de pão vive o homem,

mas também do esplendor dos céus à noite,

do espectáculo dos ares da madrugada,

da fusão de cores ao nascer do sol,

do encanto e perfume das flores,

da magnificência das montanhas,

da mansidão dos lagos e da constância dos mares...
Vive também do doce canto dos pássaros,

do sussurro do vento nas árvores,

do cheiro de terra molhada após longa estiagem,

da sedução mágica de um violino,

da melancolia enigmática de um tango,

da sublimidade de uma catedral suavemente iluminada.


Nem só de pão vive o homem,

mas também do calor da mão de um amigo,

da ternura de um beijo de mãe,

das confidências e parcerias conjugais,

da criação de um filho, bendita missão!

Vive também dos versos dos poetas,

da sabedoria dos sábios,

da santidade dos santos,

da vida das grandes almas.


Nem só de pão vive o homem,

mas de companheirismo e aventura,

de procurar e encontrar,

de amar e ser amado.


Nem só de pão vive o homem,

mas de sua fé na oração,

correspondendo à inspiração dos anjos da guarda,

discernindo e executando a vontade de Deus,

agora e sempre, por toda a eternidade.


(desconheço a autoria)

Para estar contigo...













"Para estar contigo,
liberto-me da minha mochila (as minhas preocupações)
Tiro os óculos (as minhas visões)
Esqueço a minha agenda (os meus negócios)
Guardo a caneta no bolso (os meus planos)
Deixo de lado o meu relógio (o meu horário)
Despojo-me da minha roupa (as minhas ambições)

desprendo-me das minhas jóias (as minhas vaidades)
Renuncio ao meu anel (os meus compromissos)
Descalço os sapatos (os meus desejos de fuga)
Deixo também as minhas chaves (a minha segurança)
Para estar a sós contigo
O único e verdadeiro Deus.
E depois de estar contigo …
Pego as minhas chaves para poder abrir as tuas portas
Calço os sapatos para andar pelo teu caminho
Adorno-me com as jóias para ir à tua festa
Visto a roupa para sair pelo teu mundo amplo
Recupero o meu relógio para viver ao ritmo do teu tempo
Pego na caneta para escrever os teus pensamentos retomo

a minha agenda para não esquecer os teus encontros comigo,
e os meus contigo, aos que vou com gosto,

ponho os óculos para poder ver o mundo ao teu modo
e carrego a minha mochila para levar e semear as tuas promessas."


(Recebi este post por e-mail).